Diário da Prisioneira da Rua Oito

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domingo, 14 de setembro de 2008

Espelho meu!

Deus criou-me para menina. Assim permanecerei, mesmo que a vida me bata e tire todas as minhas bonecas.

A volta ao estado infantil me é sempre possível.
Assim, sigo irresistível, na fantasia nostálgica da onipotência infantil que nunca perdi.


Meu encanto repousa sobre o fato de que a criança que há em mim se basta, simplesmente.

terça-feira, 9 de setembro de 2008

Tentação irresistível.

Da crueldade feminina, o que conhecem os homens? De pequena, quando minha mãe afirmava que eu era má, isso me deixava mais má. Hoje o que mais me provoca é o espetáculo patético de um homem em posição infantil. Fico atentada. Lágrimas são armas de combate exclusivas das mulheres na guerra dos sexos. Um homem não chora, e é bom que não chore em minha cozinha. Se houver uma faca, como não perceber o lugar exato onde melhor enfiá-la?

Só no amor sou intolerante e cruel.

Em relação alguma sou tão cruel como no amor.
Em mim nunca funcionou o sentimento da piedade. Quando é o caso, o que me surge não é a piedade mas o desprezo ou a irritação.
Sei o quanto se sofre quando não se é amado. Mas isso não me comove quando não amo quem me ama.
Um homem tudo pode de mim pedir e obter. Exceto que eu o ame.
Em todas as situações a compaixão tem um limite. Mas quando deixo de amar de verdade, a compaixão acaba e a repugnância começa.
O jogo do amor é um jogo de forças.

sábado, 6 de setembro de 2008

A quem interessar.

Serei sempre uma mulher com tudo que um homem pode temer sem cessar de amá-la. E é bom que ele saiba que minha crueldade, minha obstinação e minha reserva orgulhosa não excluem a traição, longe disso.



Só acredito no Inferno quando estou nele.

Quando meu corpo pensa, todo o resto se cala
e minha pele inteira tem uma alma.
Sou uma mulher que renasce sob cada céu onde me curo da dor de amar.
Fazer o quê? Mentir, mentir sempre.
Com insolente orgulho, eu prego e amo a mentira!